Como identificar e controlar perigos químicos nos alimentos​? Um guia de perguntas e respostas

Como identificar e controlar perigos químicos nos alimentos​? 

Os perigos químicos nos alimentos constituem, sem dúvida, uma severa ameaça à saúde pública. Afinal, podem comprometer, de forma nefasta, o bem-estar dos consumidores, a curto, médio e longo prazo. Neste quadro, as empresas do setor alimentar devem, inegavelmente, assumir um papel preponderante no combate proativo a este risco. 

Mas quais são os principais perigos químicos nos alimentos e de que forma afetam a nossa saúde? E que estratégias deve implementar para os identificar, combater e prevenir? Consulte, então, o nosso guia de perguntas e respostas. 

Primeiramente, o que são perigos químicos nos alimentos? 

A composição de qualquer bem alimentar faz-se de substâncias químicas, responsáveis pelo sabor, pela cor, pelo aroma ou pela qualidade nutricional, por exemplo. Contudo, quando estes químicos estão presentes em concentrações inadequadas para a saúde, tornam-se uma ameaça à segurança alimentar

De acordo com a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE):

A contaminação dos alimentos pode resultar da presença de contaminantes químicos. Isto é, substâncias que não foram adicionadas intencionalmente aos alimentos, mas estão presentes nos mesmos, como resíduos da produção, da transformação, do acondicionamento, do transporte e da conservação.

Com efeito, os perigos químicos nos alimentos — ou seja, substâncias de natureza química que podem prejudicar a saúde dos consumidores — podem ter diversas origens. Entre as principais tipologias a considerar, neste âmbito, podemos então destacar:  

  • Contaminantes ambientais e industriais, resultantes da poluição industrial, agrícola ou de processos de produção inadequados. Incluem, a título ilustrativo, metais pesados como chumbo ou mercúrio; 
  • Aditivos alimentares (caso dos nitratos), utilizados nos processos de transformação, transporte, armazenamento e comercialização, que podem tornar-se prejudiciais quando presentes em doses excessivas; 
  • Substâncias intencionalmente adicionadas para melhorar a conservação ou a aparência dos alimentos, mas que, em concentrações inadequadas, representam riscos para a saúde. Falamos, portanto, de corantes, conservantes artificiais ou intensificadores de sabor; 
  • Contaminantes resultantes do processamento dos alimentos, como a acrilamida ou o furano; 
  • Toxinas naturais, produzidas por microrganismos, plantas ou animais, por exemplo, micotoxinas e biotoxinas marinhas;
  • Resíduos de pesticidas e medicamentos veterinários, utilizados na produção agrícola e pecuária, que podem permanecer nos alimentos em níveis nocivos para a saúde.

Quais são as consequências para a saúde dos perigos químicos nos alimentos? 

A presença de químicos na alimentação pode, decerto, causar múltiplos efeitos adversos na saúde humana. A sua gravidade varia em função da natureza do contaminante, das doses ingeridas ou da duração da exposição (sendo que alguns apresentam efeitos cumulativos). 

 Os perigos químicos nos alimentos podem, assim, provocar doenças de origem alimentar, tanto agudas como crónicas. Entre os sintomas mais comuns, neste quadro, encontram-se: 

  • Vómitos e náuseas; 
  • Diarreia; 
  • Dores abdominais; 
  • Problemas respiratórios ou asfixia; 
  • Reações alérgicas, incluindo urticária, inchaço ou, em casos mais graves, anafilaxia; 
  • Desenvolvimento de intolerâncias a determinadas substâncias; 
  • Malformações congénitas durante o período de gestação; 
  • Problemas neurológicos, frequentemente associados à acumulação de metais pesados como chumbo e mercúrio no organismo; 
  • Doenças cancerígenas, relacionadas com a exposição prolongada a compostos como acrilamida, micotoxinas e dioxinas, por exemplo. 

 

Como identificar e controlar perigos químicos nos alimentos​? Um guia de perguntas e respostas

Como controlar riscos químicos e prevenir esta ameaça no setor alimentar? 

Considerando que os perigos químicos nos alimentos acarretam diversas consequências para a saúde pública, definiram-se valores que as organizações do setor devem monitorizar e respeitar. De acordo com a ASAE, a Comissão Codex Alimentarius já adotou mais de 3.200 limites máximos de resíduos em relação a pesticidas e produtos de uso veterinário, a título ilustrativo. 

Pois bem, para garantir o rigoroso cumprimento deste quadro regulatório, é crucial investir na implementação — proativa e estrutural — de um conjunto de medidas essenciais, a saber: 

1. Identificação de perigos e avaliação de riscos 

A análise detalhada e sistemática dos potenciais perigos químicos nos alimentos deve, então, estender-se a todas as etapas da cadeia de abastecimento: da produção primária à distribuição e comercialização. 

Nesse sentido, é fulcral garantir a total consonância com os pressupostos do sistema HACCP, focado na meticulosa (e preventiva) análise e controlo dos pontos críticos e dos perigos para a saúde — caso da contaminação química dos alimentos. 

 

2. Controlo rigoroso do uso de aditivos e substâncias químicas 

A monitorização dos perigos químicos nos alimentos exige a implementação de testes laboratoriais regulares (para avaliar a presença de resíduos químicos, por exemplo) e a aplicação de boas práticas agrícolas e de fabrico. Ademais, é fundamental seguir uma gestão criteriosa da utilização de substâncias como nitratos, nitritos ou sulfitos.  

3. Segurança no armazenamento e embalamento dos produtos 

A prevenção da contaminação dos alimentos é essencial para proteger os consumidores dos riscos químicos. Com efeito, as políticas de acondicionamento e de conservação destes itens representam um papel determinante.  

4. Formação contínua dos manipuladores de alimentos 

Os trabalhadores deste setor — em todas as fases da cadeia produtiva — assumem, inegavelmente, uma responsabilidade acrescida no combate aos perigos químicos nos alimentos. Por conseguinte, é imprescindível que as empresas capacitem continuamente os manipuladores de alimentos em relação às normas de segurança, às práticas de higiene e à resposta a emergências em caso de contaminação acidental.

 

Pois bem, se pretende assegurar a conformidade com as normas de controlo dos perigos químicos nos alimentos, deve contar com o apoio especializado de um parceiro experiente e rigoroso. Na Centralmed, temos ao seu dispor um conjunto alargado de soluções de Segurança Alimentar, ajustáveis ao perfil e às necessidades específicas da sua organização. Contacte-nos!

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