O recurso ao trabalho temporário revela-se, hoje, indispensável para muitas organizações. Trata-se de uma solução relevante para responder com flexibilidade a picos de atividade ou substituir pessoas temporariamente ausentes, por exemplo. Esta é, por isso, uma alternativa comum em setores como a hotelaria, a restauração, o retalho, a agricultura, a logística ou a organização de eventos.
Mas de que forma podem as organizações apoiar as mães trabalhadoras? E que papel deve a saúde ocupacional assumir neste processo?
Qual a importância da saúde materna no contexto laboral?
A gravidez e o período pós-parto envolvem alterações fisiológicas e psicológicas que podem, inegavelmente, aumentar a vulnerabilidade em relação a determinados riscos ocupacionais.
As trabalhadoras grávidas ou em período de amamentação requerem, portanto, uma atenção particular quando estão expostas a atividades ou condições laborais suscetíveis de afetar a sua saúde ou o desenvolvimento do bebé. Afinal, as condições de trabalho podem agravar as exigências físicas e psicológicas próprias da gravidez.
Cada gravidez apresenta, decerto, necessidades específicas. Consequentemente, é crucial efetuar uma avaliação dos riscos profissionais e adaptar as medidas de proteção a cada situação.
Quais são, então, os principais desafios a equacionar nesta área?
Naturalmente, cada posto de trabalho apresenta características próprias e, por esse motivo, exige uma avaliação individual dos riscos. Contudo, existem alguns fatores laborais que merecem especial atenção devido ao impacto que podem ter na saúde materna, nomeadamente:
- Horários prolongados e carga de trabalho excessiva;
- Stress ocupacional e pressão psicológica;
- Trabalho por turnos;
- Falta de apoio à saúde mental;
- Insegurança e incerteza laboral.
O regresso ao trabalho após o nascimento de um filho constitui, igualmente, um desafio exigente. Este momento é marcado pela necessidade de reorganizar rotinas e conciliar a vida profissional e familiar. Sem o apoio adequado da organização, esta transição pode, certamente, dificultar a reintegração profissional.
Como apoiar as mães trabalhadoras nas diferentes fases da maternidade?
A proteção da saúde materna deve acompanhar todo o percurso da trabalhadora, desde o momento da comunicação da gravidez até à retoma da atividade profissional. Ao longo deste processo, as necessidades vão-se transformando, exigindo das empresas um acompanhamento contínuo e medidas ajustadas às especificidades de cada etapa.
Durante a gravidez
Esta é uma fase orientada, sobretudo, para a prevenção de riscos, com o objetivo de garantir o desempenho seguro das atividades profissionais. Assim, aquando da comunicação da gravidez, é essencial reavaliar os riscos ocupacionais, considerando a situação individual da trabalhadora, as características do posto de trabalho e a função desempenhada.
Sempre que os riscos não possam ser eliminados, poderá ser necessário adaptar o posto ou reorganizar o trabalho e os respetivos horários.
Durante a licença parental
Esta é uma fase de recuperação física, adaptação à nova realidade familiar, criação de vínculo com o bebé e preparação para o futuro regresso ao trabalho. As organizações devem, pois, respeitar o período de afastamento e evitar contactos profissionais desnecessários.
Paralelamente, importa preparar o regresso ao trabalho ainda durante a licença parental, sem interferir com o gozo deste direito. Este planeamento pode ser importante para reduzir a incerteza e facilitar a posterior retoma da atividade.
No regresso ao trabalho
Neste quadro, a prioridade passa, acima de tudo, por reduzir o stress associado à reintegração e contribuir para o estabelecimento de um equilíbrio harmonioso entre os deveres profissionais e a vida familiar.
Além do cumprimento das licenças, das dispensas e dos demais direitos legalmente previstos, podem ponderar-se soluções de organização do trabalho que facilitem esta conciliação e promovam a saúde materna, como:
- Ajustamento dos horários de trabalho;
- Recurso ao teletrabalho, se aplicável;
- Adequação das pausas e dos ritmos às necessidades da trabalhadora;
- Disponibilização de espaços que garantam privacidade durante a amamentação ou a extração de leite;
- Criação de condições para a conservação segura do leite materno.
Que medidas práticas devem as empresas implementar para proteger a saúde materna?
Na prática, o compromisso com a saúde materna exige a criação de respostas ajustadas à vivência de cada trabalhadora e às exigências concretas da sua atividade. Neste quadro, a articulação entre chefias, gestores de recursos humanos, equipas de Medicina do Trabalho e a própria profissional revela-se essencial.
Tome nota de algumas das medidas a priorizar:

Saúde materna no trabalho: um investimento na sustentabilidade humana
A integração da saúde materna na estratégia de saúde ocupacional permite acompanhar de perto as alterações que podem influenciar a capacidade de trabalho durante a gravidez, o período pós-parto e a retoma da atividade profissional. No âmbito da vigilância da saúde, o médico do trabalho deve avaliar regularmente a aptidão da trabalhadora e propor as adaptações necessárias.
Na Centralmed, temos ao seu dispor um conjunto amplo de serviços especializados de Medicina do Trabalho, ajustados às necessidades específicas e ao contexto de cada organização. Assim, se precisa de apoio para proteger a saúde materna no contexto laboral, conte com a nossa equipa de especialistas. Contacte-nos!