Como quebrar o tabu da depressão pós-férias e falar de saúde mental nas organizações?

Depressão pós-férias: como quebrar o tabu e falar de saúde mental nas organizações?

A expressão “depressão pós-férias” é utilizada para descrever o mal-estar que algumas pessoas sentem no regresso à rotina, depois de um período de descanso. Esta fase pode fazer-se acompanhar por tristeza, ansiedade, fadiga, irritabilidade ou falta de motivação. Importa, contudo, distingui-la de uma perturbação depressiva, que envolve sintomas persistentes e um impacto significativo no funcionamento quotidiano.

 

Em muitos casos, o desconforto associado ao regresso tende a ser passageiro e pode relacionar-se com a readaptação ao ritmo de trabalho e às tarefas pendentes. No entanto, a persistência ou intensificação dos sintomas exige uma atenção especial, sobretudo quando impactam várias dimensões da vida profissional e pessoal.

Que papel devem, então, as empresas assumir neste regresso? Como podem as lideranças apoiar os trabalhadores sem desvalorizar aquilo que estão a sentir?

 

Mas o que é a depressão pós-férias?

De acordo com a plataforma Medical News Today:

A depressão pós-férias não é uma condição clinicamente reconhecida. A expressão refere-se ao estado de desânimo que algumas pessoas podem sentir depois de regressarem de férias (...). Os seus efeitos podem interferir temporariamente na vida quotidiana.

Este problema tende a suscitar, portanto, desconforto emocional e um aumento dos níveis de stress. Importa, contudo, salientar que a depressão pós-férias deve distinguir-se da depressão clínica, que constitui uma perturbação mental com critérios de diagnóstico próprios.

Este fenómeno, também designado por “síndrome pós-férias” ou “post-vacation blues”, pode manifestar-se através de diferentes sinais, entre os quais:

  • Tristeza ou nostalgia;
  • Ansiedade;
  • Irritabilidade ou desassossego;
  • Falta de motivação;
  • Dificuldade de concentração;
  • Fadiga ou alterações do sono.

 

A intensidade e a duração destes sintomas variam, decerto, de pessoa para pessoa. Em muitos casos, o mal-estar diminui à medida que o trabalhador recupera o ritmo habitual. Todavia, quando os sintomas persistem ou interferem de forma consistente com o quotidiano, importa procurar a avaliação de um profissional de saúde.

O regresso ao trabalho pode ser um desafio para a saúde mental?

Sim. Afinal, este regresso implica uma mudança de ritmo e a retoma de responsabilidades que estiveram temporariamente suspensas.

Uma investigação publicada em 2023, por exemplo, concluiu que os efeitos positivos das férias no bem-estar tendem a diminuir rapidamente após o regresso. Após a primeira semana, os níveis observados já não apresentavam diferenças significativas em relação ao período pré-férias.

Porém, o impacto desta transição depende, em grande medida, das condições que o trabalhador encontra. A Organização Mundial da Saúde (OMS) identifica a carga de trabalho excessiva, os ritmos intensos, a reduzida autonomia e a falta de apoio como riscos psicossociais relevantes neste âmbito.

 

Como podem as organizações apoiar os trabalhadores no regresso após as férias?

A depressão pós-férias pode tornar a readaptação à rotina profissional mais exigente. Neste contexto, o regresso pode ser facilitado quando a empresa reconhece que esta transição exige algum tempo e organiza as condições de forma adequada. Afinal, a carga de trabalho, a autonomia, a qualidade da liderança e a existência de canais seguros de comunicação influenciam o bem-estar dos trabalhadores.

Nesse sentido, a prevenção dos riscos para a saúde mental deve incluir intervenções organizacionais que atuem diretamente sobre as condições e os ambientes de trabalho. Que medidas podem, então, facilitar esta transição? Tome nota:

Como quebrar o tabu da depressão pós-férias e falar de saúde mental nas organizações?

 

A proteção da saúde mental exige uma resposta organizacional

Embora a depressão pós-férias corresponda, geralmente, a um mal-estar transitório, é imprescindível acompanhar a evolução dos sinais. Neste período, as medidas de autocuidado podem, sem dúvida, facilitar a readaptação. Contudo, se os sintomas persistirem ou interferirem significativamente com o quotidiano, é importante recorrer a um profissional de saúde para uma avaliação adequada.

Em alguns casos, o regresso ao trabalho pode acentuar um desconforto anterior às férias ou evidenciar condições profissionais que dificultam a recuperação. Por conseguinte, a resposta deve abranger as características concretas do trabalho.

A promoção da saúde mental constitui, pois, uma responsabilidade partilhada. Às organizações compete, então, prevenir os riscos psicossociais, disponibilizar canais seguros de comunicação, preparar as lideranças e facilitar o acesso a apoio.

 

Neste âmbito, a Medicina do Trabalho desempenha um papel fundamental na vigilância da saúde e na identificação precoce de alterações que possam estar relacionadas com as condições profissionais. Em articulação com os restantes serviços de Segurança e Saúde no Trabalho (SST), pode também contribuir para a avaliação dos riscos psicossociais, para a definição de medidas preventivas e para o encaminhamento adequado de cada situação.

Conte com o apoio especializado da Centralmed para reforçar a prevenção e promover ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis.

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