Como adaptar a saúde ocupacional aos desafios dos trabalhadores migrantes

Saúde ocupacional para trabalhadores migrantes: como garantir inclusão e equidade? 

Os trabalhadores migrantes representam, hoje, uma fração significativa da força laboral europeia e portuguesa. De acordo com dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), existem quase 170 milhões de trabalhadores migrantes em todo o mundo. Ou seja, cerca de 5% da população ativa global. 

Portugal é o sexto país da União Europeia (UE) com o maior contributo dos imigrantes para a força de trabalho, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Aliás, sem o fluxo migratório, a mão de obra no país teria diminuído, em média, 0,1% entre 2020 e 2024. Graças à imigração, cresceu 0,7% nesse período. 

Esta realidade traduz-se, portanto, num conjunto amplo de desafios para as empresas. Especialmente no que respeita ao acesso equitativo à saúde ocupacional e à proteção laboral. Afinal, a diversidade cultural e o respeito pelos direitos fundamentais não podem dissociar-se do dever de fomentar o bem-estar e a inclusão no ambiente corporativo. 

 

Os trabalhadores migrantes devem ser considerados um grupo prioritário na saúde ocupacional? 

A resposta é inequívoca: sim. 

As evidências reunidas por organismos internacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a OIT demonstram que os trabalhadores migrantes constituem um grupo particularmente fragilizado em matéria de segurança e saúde no trabalho (SST). 

O conceito de “vulnerabilidade ocupacional”, amplamente discutido no “World Report on the Health of Refugees and Migrants”, da OMS, refere-se à conjugação de fatores que aumentam a exposição a riscos profissionais. No caso dos trabalhadores migrantes, essa vulnerabilidade é reforçada por vários fatores, a saber: 

  • Diferenças legais, culturais e linguísticas, que dificultam a compreensão das normas de segurança, da informação relativa aos riscos e aos direitos laborais; 
  • Dificuldades de acesso regular a cuidados de saúde, sobretudo em situações de precariedade contratual ou ausência de documentação; 
  • Elevada exposição a tarefas árduas e realizadas em contextos de elevado risco. Tipicamente em setores como, por exemplo, a agricultura, a construção civil ou a limpeza industrial. 

 

Nesse sentido, importa frisar que esta vulnerabilidade é estrutural e sistémica: resulta, muitas vezes, de condições de trabalho precárias e discriminação.  

 

Quais são os principais riscos e problemas de saúde entre os trabalhadores migrantes? 

A evidência científica das últimas décadas demonstra que os trabalhadores migrantes estão, de facto, desproporcionalmente expostos a riscos físicos, químicos e psicossociais.  

De acordo com o relatório do “New approaches to labour market integration of migrants and refugees”, do Parlamento Europeu, esta fragilidade atravessa diferentes áreas da vida destas populações. Repercute-se, assim, em dimensões como as funções exercidas, as condições de alojamento, o acesso à saúde e, acima de tudo, a ausência de mecanismos de proteção efetiva. 

 

Riscos físicos e químicos 

Os setores que mais recorrem à mão de obra migrante — agricultura, construção civil, indústria transformadora, hotelaria e limpeza — coincidem, frequentemente, com aqueles que registam maiores taxas de doenças profissionais. Além disso, os trabalhadores migrantes apresentam um risco de ocorrência de acidentes fatais entre duas a cinco vezes superior

Ora, entre os fatores de risco mais comuns neste quadro, podemos então destacar: 

 

Riscos psicossociais e mentais 

A insegurança laboral, o isolamento social e a discriminação são fatores que também impactam profundamente a saúde mental dos trabalhadores migrantes. 

São vários os estudos que identificam níveis mais elevados de stress, ansiedade e burnout entre estas populações deslocadas, muitas vezes agravados pela ausência de suporte familiar. A exposição a ambientes hostis ou culturalmente insensíveis pode ainda gerar perturbações do sono e sintomas depressivos. 

Barreiras no acesso à saúde e à prevenção 

Apesar de desempenharem funções cruciais em múltiplos setores de atividade, muitos trabalhadores migrantes enfrentam barreiras significativas no acesso à Medicina do Trabalho e aos cuidados de saúde primários. As barreiras linguísticas e administrativas, assim como o receio de represálias, conduzem muitas vezes à subnotificação de acidentes e doenças profissionais. 

Como defende Santino Severoni, Diretor do Programa de Saúde e Migração da OMS: 

O estatuto migratório não deve constituir um fator de discriminação, mas sim um vetor de política pública sobre o qual se construa e fortaleça a proteção nas áreas da saúde, da proteção social e financeira.

 

Como promover uma saúde ocupacional inclusiva e equitativa? 

Acima de tudo, importa adotar uma abordagem estrutural, multissetorial e sustentável, capaz de responder à diversidade crescente da força de trabalho. Nesse sentido, destacam-se cinco eixos de intervenção fundamentais: 

Como adaptar a saúde ocupacional aos desafios dos trabalhadores migrantes

Para responder a este contexto desafiante, é indispensável começar por reconhecer a diversidade como um valor estratégico e o bem-estar como um pilar da sustentabilidade corporativa. 

Com efeito, promover a equidade em saúde laboral é investir na produtividade, na coesão interna e na reputação organizacional. As empresas que adotam políticas inclusivas e preventivas não só cumprem as normas legais e éticas, como também se posicionam na linha da frente da inovação. 

 

Assim, se pretende valorizar o seu capital humano e garantir um acompanhamento próximo dos trabalhadores migrantes da sua organização, conte com a vasta experiência da equipa Centralmed. Temos ao seu dispor um leque vasto de serviços de excelência na área da Medicina do Trabalho, totalmente adaptáveis aos desafios particulares da sua equipa. Contacte-nos! 

Partilhar
Podemos ajudar?
Se pretender deixe-nos os seus dados para entrarmos em contacto.