Preparação para sismos através da formação profissional contínua

Preparação para sismos: transformar o medo em ação através da formação 

Num país como Portugal, atravessado por falhas sísmicas ativas e com memória de eventos devastadores como o terramoto de 1755, a preparação para sismos nas organizações não é apenas uma questão de prudência. Trata-se, sobretudo, de uma necessidade estratégica. Estes fenómenos são imprevisíveis, repentinos e potencialmente destrutivos. E embora não possamos evitá-los, é possível reduzir drasticamente os seus efeitos através do conhecimento.

A imprevisibilidade dos sismos gera, muitas vezes, medo e paralisia. Contudo, a formação profissional tem precisamente o poder de converter esse medo em ação 

Quando se sabe o que fazer antes, durante e depois de um sismo, reduzem-se os riscos humanos e materiais, reforça-se a confiança coletiva e cumpre-se um dos pilares basilares das medidas de autoproteção (MAP): a antecipação. 

 

Porque é que a preparação para sismos é uma prioridade nas organizações 

Portugal é um país com risco sísmico bastante significativo. De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), registam-se com regularidade eventos de baixa magnitude em diversas zonas do território nacional, ainda que, na maioria dos casos, sem capacidade destrutiva. Contudo, a perigosidade sísmica não é uniforme: é mais elevada nas regiões do Algarve, de Lisboa e Vale do Tejo, assim como nos arquipélagos dos Açores e da Madeira. 

Este cenário coloca, sem dúvida, um desafio direto às organizações:  

Como garantir a segurança das pessoas e a continuidade das operações perante a inevitabilidade do risco? 

A resposta começa na preparação para sismos, entendida não apenas como a transmissão de um conjunto de procedimentos técnicos, mas como uma dimensão central da prevenção. Quando integrada na gestão da segurança e saúde no trabalho (SST), esta preparação deixa de ser um exercício esporádico e passa a fazer parte da rotina operacional. 

Em suma, a vulnerabilidade das empresas não se mede apenas pela robustez e organização das suas infraestruturas. Prende-se, sobretudo, com a capacidade humana de resposta a eventos inesperados. Afinal, sem preparação e coordenação, os trabalhadores podem reagir de forma caótica, multiplicando o risco de ferimentos e de perdas.  

Com efeito, apostar na formação em preparação para sismos é investir na resiliência e na própria sustentabilidade da organização. 

 

O que deve contemplar uma formação de preparação para sismos? 

Uma formação profissional nesta área deve combinar rigor técnico, exercícios práticos e sensibilização. O objetivo não passa apenas por ensinar procedimentos e medidas de autoproteção a adotar antes, durante e depois do abalo. Trata-se, acima de tudo, de capacitar pessoas para agirem com autonomia e segurança.  

Assim, a formação de preparação para sismos deve contemplar: 

  • Compreensão do risco sísmico e das suas implicações na segurança organizacional; 
  • Adoção de medidas preventivas, sensibilizando para a importância da arrumação dos espaços, da fixação de mobiliário pesado, da identificação de zonas seguras ou do conhecimento dos pontos de corte de energia, gás e água;  
  • Criação do kit de emergência, seguindo as recomendações da Proteção Civil Portuguesa, contendo água potável, lanterna, rádio, manta e primeiros socorros, por exemplo; 
  • Procedimentos de comunicação e coordenação entre equipas durante a emergência; 
  • Gestão emocional e controlo do pânico, com técnicas de autorregulação em contexto de stress; 
  • Simulacros e exercícios práticos, que reproduzam cenários reais e testem a capacidade de resposta das equipas; 
  • Análise pós-evento, incluindo a verificação da segurança das instalações e o reporte de incidentes; 
  • Estratégias de inclusão de todos os trabalhadores, assegurando que pessoas com mobilidade reduzida ou funções críticas também estão preparadas. 

 

Mais do que decorar passos, o participante deve aprender a pensar e agir de forma responsável, desenvolvendo competências de liderança e cooperação.  

Este treino comportamental na preparação para sismos é, decerto, o que verdadeiramente transforma a informação em ação. Além disso, este percurso formativo tem um caráter transversal: destina-se a todos os trabalhadores, independentemente da função ou da hierarquia. 

Preparação para sismos através da formação profissional contínua

 

Preparação para sismos: da teoria à prática organizacional 

De acordo com a norte-americana Occupational Safety and Health Administration (OSHA): 

A efetiva preparação [das organizações] inclui o planeamento para os sismos antes que ocorram, a disponibilização de informação e de kits de emergência aos trabalhadores, a formação contínua e a implementação de planos de resposta.

A formação contínua em segurança é, pois, indispensável para a prevenção destas emergências. Isto significa que cada sessão de formação deve ser encarada como parte de um ciclo contínuo de melhoria, e não como um evento isolado.  

Este ciclo alicerça-se em três pilares, a saber: 

  1. Integração da formação nos programas de SST: a preparação para sismos deve estar plenamente incorporada nas estratégias de segurança no trabalho e saúde ocupacional. Assegura-se, assim, a atualização regular de competências e a articulação com outras medidas de emergência; 
  2. Foco na componente imersiva e emocional: a realização de exercícios práticos é fulcral para testar, em ambiente controlado, a capacidade de resposta dos trabalhadores e o desempenho das chefias na coordenação de ações. Ao simular situações de pânico e de incerteza, os formandos aprendem a controlar reações instintivas e a priorizar as políticas estipuladas no plano de emergência; 
  3. Avaliação e melhoria contínua: após cada treino ou simulacro, importa recolher feedback dos participantes, procurando, então, identificar pontos fortes e oportunidades de melhoria. 

 

Antecipar o risco: formar para proteger e mobilizar 

A preparação para sismos é muito mais do que uma obrigação regulamentar: é um exercício de responsabilidade coletiva. Trata-se de reconhecer que o bem-estar de todos depende dos comportamentos de cada um.  

Ao apostar na formação, as organizações criam equipas mais conscientes, confiantes e capazes de reagir com eficácia. É um investimento, pois, na proteção de vidas, do património e do futuro.  

 

Na Centralmed, temos ao seu dispor um programa formativo focado nos comportamentos a adotar em caso de sismo, em parceria com o museu imersivo Quake. Totalmente adaptável à realidade da sua empresa, este curso pretende criar verdadeiros embaixadores da mudança, com os instrumentos necessários para preparar e reagir com segurança perante uma emergência.

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