Que estratégias adotar para promover o combate ao sedentarismo nas organizações?

Como podem as empresas promover o combate ao sedentarismo?

O sedentarismo tornou-se uma das marcas silenciosas do trabalho contemporâneo. A digitalização trouxe ganhos evidentes às organizações: maior agilidade, novas formas de colaboração, acesso permanente à informação e modelos laborais mais flexíveis. Contudo, também concentrou muitas tarefas num ecrã, multiplicou reuniões virtuais, reduziu as deslocações e tornou mais frequentes os longos períodos de imobilidade.

 

Caminhar até uma sala de reuniões, levantar-se para falar com um colega, sair para almoçar ou circular entre diferentes zonas da empresa são rotinas aparentemente secundárias, mas importantes. Se esses momentos desaparecem, o corpo pode permanecer durante horas na mesma posição, muitas vezes sem que se tenha plena consciência do tempo acumulado de sedentarismo.

Nesse sentido, este é um desafio central para a gestão do bem-estar nas empresas. Afinal, este problema está ligado a fatores estruturais como o desenho dos postos de trabalho, a organização das pausas, a utilização da tecnologia ou a forma como a empresa valoriza (ou ignora) o movimento durante a jornada laboral.

 

Mas o que é o sedentarismo? E como afeta a saúde dos trabalhadores?

De acordo com a Comissão Europeia:

O comportamento sedentário corresponde a qualquer atividade, realizada durante o período em que estamos acordados, que implique um gasto energético muito reduzido (...) e ocorra em posição sentada, reclinada ou deitada. Habitualmente, abrange o tempo de ecrã (como ver televisão, jogar videojogos, ler em formato digital ou utilizar o computador), a condução automóvel e a leitura.

Com efeito, em contexto laboral, o sedentarismo tende a associar-se a situações como:

  • Tarefas realizadas ao computador;
  • Funções de condução;
  • Postos fixos de atendimento;
  • Atividades administrativas;
  • Funções com pouca variação postural.

 

Importa, neste âmbito, frisar uma nuance decisiva: uma pessoa pode praticar exercício físico regular e, ainda assim, permanecer demasiado tempo sentada durante o horário de trabalho. Ou seja, o problema resulta da acumulação de várias horas em posturas estáticas, com poucas interrupções e reduzida ativação muscular.

Por conseguinte, o combate a este problema nas empresas implica rever rotinas e condições laborais, criando oportunidades para que o movimento faça parte do dia a dia.

O que acontece ao corpo quando passamos demasiado tempo sentados?

Quando se permanece sentado durante períodos prolongados, a atividade muscular diminui de forma significativa. Isto pode comprometer a regulação da glicemia, da pressão arterial, do metabolismo das gorduras e da circulação sanguínea. Além do impacto metabólico e vascular, o sistema musculoesquelético também sofre.

Consequentemente, o sedentarismo favorece problemas como:

 

O problema agrava-se, inegavelmente, quando o posto de trabalho não está devidamente ajustado, quando o ecrã está mal posicionado, quando a cadeira não oferece suporte adequado ou quando o stress e o ritmo laboral levam o trabalhador a ignorar sinais de desconforto.

O impacto do sedentarismo não se esgota na saúde individual. Ameaça, também, a produtividade das organizações, a motivação das equipas, o absentismo e o presenteísmo.

 

O sedentarismo afeta apenas quem trabalha sentado à secretária?

Embora os trabalhadores de escritório sejam frequentemente associados ao sedentarismo, o problema tem uma expressão mais ampla. Motoristas, operadores em postos fixos, profissionais de atendimento ao público, equipas de vigilância e trabalhadores que dependem de sistemas digitais durante grande parte da jornada podem, igualmente, estar expostos a longos períodos de baixa mobilidade.

Também devemos frisar que o risco não se limita ao tempo passado numa cadeira. Afinal, um trabalhador pode permanecer em pé durante muitas horas, mas sem se movimentar de forma significativa.

 

Que medidas podem as empresas adotar para combater o sedentarismo no trabalho?

O combate ao sedentarismo no trabalho requer, acima de tudo, alterações na organização da jornada, no desenho dos espaços, na cultura de reuniões ou na valorização das pausas.

A resposta deve ser estrutural, mas realista. Uma empresa com funções administrativas, uma unidade industrial, uma clínica, uma equipa de motoristas ou um serviço de atendimento ao público, por exemplo, exigem abordagens diferentes. O princípio, porém, mantém-se: sempre que possível, é importante criar oportunidades para alternar posturas, caminhar, alongar e reduzir períodos prolongados de imobilidade.

Que estratégias adotar para promover o combate ao sedentarismo nas organizações?

 

Qual é o papel da saúde ocupacional no combate ao sedentarismo?

A saúde ocupacional desempenha um papel fundamental na identificação deste problema e, decerto, na prevenção dos seus impactos. Ao articular vigilância da saúde, avaliação de riscos, conhecimento clínico e compreensão das condições reais de trabalho, revela-se crucial para o desenho de medidas ajustadas a cada organização.

Afinal, só esta leitura integrada permite perceber se a organização do trabalho está a favorecer comportamentos sedentários e que adaptações são necessárias.

A literacia em saúde também assume, aqui, uma função vital. Muitos trabalhadores conhecem os benefícios do exercício físico, mas desconhecem os efeitos concretos de permanecer demasiado tempo sentado. Com efeito, ações de sensibilização, campanhas internas, workshops de ergonomia, formação profissional contínua e o envolvimento das lideranças são cruciais para implementar práticas mais consistentes.

 

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